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23 janeiro 2011

Água...

Roubada daqui






... que
... me queima a pele.
... me amolece.
... me inspira vontades.

Dispo-me devagar, sentindo o calor do aquecedor.
Transformo uma rotina, num ritual sensual... só para mim!
Todos os movimentos brandos, suaves, cuidados... reflectem-se no espelho, onde me admiro.
As minhas mãos são a carruagem, que transporta exuberante encomenda... a minha vontade!
A sua condução é coordenada... rigorosa. Todos os caminhos são percorridos, explorados, aflorados!
Sem me preocupar, cometo os mortais pecados, numa cadência voluptuosa.

Já com a Água em fortes, quentes e relaxantes salpicos inundando-me o corpo, aquieto-me no seu domínio. Opto por um gel de banho especial... no seu aroma... textura... sentir...
Espalho-o abundante e suavemente... despertando sensações e arrepios.
Repito movimentos. Retorna a vontade, há pouco (voluntariamente), interrompida.
Movida pelo agradável ambiente que me envolve, encosto as costas na parede fria.
Hummm... que contraste delicioso...
Os meus braços, têm vontade própria... as mãos, como se não me conhecessem... tocam, massajam, beliscam, agarram... há unhas que se cravam...

Entretando, satisfeita a minha vontade de pele, deixo-me de merdas... abro as pernas, colocando um pé na aba da banheira e, ataco-me sem demoras!
O meu dedo médio, alternando ritmos, produz uma dança incessante de sensações... frenéticas...
As coxas... sinto-as como se não me pertencessem... bamboleando!
Deito-me... em posição fetal, mas de barriga para cima e pernas afastadas, no seu expoente máximo.
Introduzo dois dedos, sentindo-os quentes e húmidos. Dentro de mim, a carne palpita, sôfrega de desejo...
... curvo-os em sinal de chamamento, massajando o meu esponjoso tesouro... rapidamente, violentas ondas me tomam de assalto, roubando-me o discernimento... não preciso dele!
Com a palma da mão, pressiono-me no exterior, enquanto que, em impulsos suaves na pressão, mas precisos no toque, executo uma divinal coreografia...
Fecho os olhos, sentindo-me levitar, solta, leve... entrego-me...
Quero o universo em segundos... usufruir... por isso, diminuo o ritmo...
A força espásmica que me acomete é vulcão explosivo... o sangue ferve, o coração dispara, a respiração em braille... sorvo até ao último instante, essa mágica energia que me doma o corpo e escraviza a mente...
Hummm... adoro ser gueixa e senhora de mim própria! Ter-me, numa torrente febril, inebriante, esgotante...

Depois, permito-me a longos momentos... de lânguido repouso...
Doce preguiça à chuva...

09 novembro 2010

A janela indiscreta






O contexto: sozinha em casa
O cenário: um sofá de costas para uma janela aberta
O estímulo: a vontade
O veículo: o pensamento
O rastilho: a brisa que a rua empurra
O propósito: Eu



O pensamento é rápido! Tenho pressa! Hoje, não desejo prolongar o que por vezes faço, até á (minha) exaustão!

Giro o corpo, sobre os joelhos, ficando virada para a janela. Nessa posição, baixo as calças e cuecas em simultâneo. Passo os dedos sorrateiramente pelos seios, que, com a manobra que executei, espreitam entumecidos, através do tecido.
Com uma mão abraço-me por trás, mantendo as pernas juntas.
A outra mão, levo-a á boca.

Sorrio, na antevisão de alguém passar e olhar para mim…

Sinto-me quente… a antítese da atmosfera exterior.

Conduzo a humidade que trago nos dedos, contra o ventre e deslizo-os… apertando firmemente a carne.
Deixo-me cair sobre as pernas, forçando-as a deslizar no tecido… abrindo-as, totalmente!
A mão, (não) esquecida lá atrás, abocanha-me a nádega.

Toco-me, finalmente! Como gosto!
Percorro o dedo médio de uma extremidade á outra, devagar…
Curvo-o, colocando-o dentro de mim de uma estocada só! Junto outro.
O ritmo é meu! O ritmo é inconstante… Como gosto!

Retiro-me e aproveito os dedos molhados, para os deslizar sem ordem. Sem método… para logo o repor!
Sei onde me dirigir e faço-o! Sei que é o último repasto! E é por ele que anseio!
Domino o meu corpo cego, vorazmente. Retiro dele o prazer que quero!

Abro os olhos. Como gosto!

Fixo a rua e… saboreio as ondas que me escaldam a pele…

14 maio 2010

Saberás...

Roubada daqui




o que insisto em querer fazer-te?!


Saberás...

... que envolta em sopros escarlates,
quero agarrar-te e perdida no teu sabor...
deixar-te sem ar!
Quero desorganizar-te
... desafiar-te!
Enfrentar-te num ringue aveludado, cuja vitória te escapa das mãos...

Quero ser...
profundamente...
tua...

Quero repousar os pés nos teus pés
Erguer as mãos nas tuas mãos
Prender-te o corpo em suaves balanços
e com um beijo descobrir que és meu, por inteiro...

06 maio 2010

Enlaço-te...

Roubada daqui




... e no sabor do teu abraço, perco-me na vertigem de um arrepio
O perfume que envergas na pele, embriaga-me os poros que deixas a nú

No beijo que me dás, és vento solto em tardes mornas
Arrebatador...
O teu toque tem certeza, flor delicada e voragem...

Quem serás, nessa vontade?!


Transportas no corpo, aguarelas vivas de tempos passados
Um sorriso incerto... singular, que me entregas aos poucos
Peregrino atento, que em laivos de cansaço, deposita a ordem, instalando o caos...

ÚNico...

Quero o teu olhar grande, preso em mim
Toque de algodão doce...
... em menino selvagem
Quero o profano, fragrâncias mundanas, o mel espesso em abundantes tragos
Quero impregnar os sentidos, sorver(te)... numa cadência lasciva... sedenta... ardilosa...
... veneno luxuriante...