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29 julho 2011

O Brilho...

[Shine should (not) confuse...]



No meio de ti, um ponto de luz...
que me seduz!
Vagabundo; semeia(te), vagueia(te)... permeia(te)
... estende-se em mim, rouba-me ao tempo
conduz-me nas horas escuras...
solta-me, agarra-me, rouba-me à noite e amarra-me ao peito...

A tua boca louca
estremece
brilha e
afina

é meu o desejo
êxtase
ansejo
é de ti o encanto
fascínio
balanço
é nossa a saudade
amor
cumplicidade



P.S. ... sentindo que o precioso está bem guardado e
o Brilho do futuro, na palma da mão...

20 maio 2011

Estrela da Tarde




Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite, surgiste na tarde, tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo, que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos, ardendo, na luz que morria
Em nós dois, nessa tarde em que tanto tardaste, o sol amanhecia
Era tarde demais, para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela, de todas as noites, que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios, que à noite de aromas e, beijos se encheram
Foi a noite, em que os nossos dois corpos cansados, não adormeceram
E, da estrada mais linda da noite, uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites, que numa só noite, nos aconteceram
Era o dia da noite, de todas as noites, que nos precederam
Era a noite mais clara, daquelas que à noite se amando, se deram
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e, acordado, recordo no canto
Essa tarde, em que tarde surgiste, dum triste e profundo recanto
Essa noite, em que cedo nasceste, despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo, para quem se quer tanto!

Poema de Ary dos Santos